quinta-feira, 31 de julho de 2008

Elegia 4


De todas as coisas seguras,
a mais segura é a dúvida

Bertolt Brecht

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Elegia 3


Que tempo é o nosso? Há quem diga que é um tempo a que falta amor. Convenhamos que é, pelo menos, um tempo em que tudo o que era nobre foi degradado, convertido em mercadoria. A obsessão do lucro foi transformando o homem num objecto com preço marcado.

Estrangeiro a si próprio, surdo ao apelo do sangue, asfixiando a alma por todos os meios ao seu alcance, o que vem à tona é o mais abominável dos simulacros.


Toda a arte moderna nos dá conta dessa catástrofe: o desencontro do homem com o homem. A sua grandeza reside nessa denúncia; a sua dignidade, em não pactuar com a mentira; a sua coragem, em arrancar máscaras e máscaras.


Eugénio de Andrade

terça-feira, 29 de julho de 2008

Elegia 2


O amor é a ocasião única de amadurecer, de tomar forma, de nos tornarmos um mundo para o ser amado.
É uma alta exigência, uma ambição sem limites, que faz daquele que ama um eleito solicitado pelos mais vastos horizontes.

Rainer Maria Rilke

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Elegia 1

Nenhum homem é uma ilha, completo em si próprio;
cada ser humano é uma parte do continente, uma parte de um todo...

John Donne