segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Elegia 68: à morte e claro com alguma tristeza...


A morte é de facto o fim, no entanto, não é a finalidade da vida.

Michel de Montaigne
P.S - E assim se dá por finalizado um blog... mesmo antes do 69... como sempre, fora de tempo!

domingo, 5 de outubro de 2008

Elegia 67


Sempre pensei que havia tempo a mais. Atribuo em grande parte este sentimento ao prazer que quase sempre encontrei no próprio trabalho: os verdadeiros ou pretensos prazeres que se lhe sucediam não contrastavam talvez muito com a fadiga que me comunicava o trabalho - fadiga que a maior parte dos homens sente duramente.

Não tenho dificuldade em imaginar o prazer que deve sentir nas suas horas de repouso essa multidão de homens que vemos vergados sob trabalhos desencorajadores - e não me refiro apenas aos pobres, que têm de ganhar o seu pão quotidiano, mas também aos advogados, aos funcionários, submersos pela papelada e ocupados com encargos fastidiosos ou que não lhe dizem respeito.

No entanto, também é verdade que a maior parte desses indivíduos não têm problemas com a imaginação e vêem nas suas ocupações maquinais uma maneira como qualquer outra de ocupar o tempo. E serão tanto menos infelizes quanto mais medíocres forem. Para me consolar, termino com este último axioma: que é por ter espírito que me aborreço.

Eugène Delacroix

sábado, 4 de outubro de 2008

Elegia 66


Eu penso que poderia retornar e viver com animais, tão plácidos e autocontidos; eu paro e me ponho a observá-los longamente. Eles não se exaurem e gemem sobre a sua condição; eles não se deitam despertos no escuro e choram pelos seus pecados; eles não me deixam nauseado discutindo o seu dever perante Deus.

Nenhum deles é insatisfeito, nenhum enlouquecido pela mania de possuir coisas; nenhum se ajoelha para o outro, nem para os que viveram há milhares de anos; nenhum deles é respeitável ou infeliz em todo o mundo.


Walt Whitman

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Elegia 65


As boas opiniões não têm valor. Depende de quem as tem.

Karl Kraus

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Elegia 64


Temos, pois, que ao amor corresponde o amável, e que este é inexplicável. Concebe-se a coisa, mas dela não se pode dar razão; assim também é que de maneira incompreensível o amor se apodera da sua presa. Se, de tempos a tempos, os homens caíssem por terra e morressem subitamente, ou entrassem em convulsões violentas mas inexplicáveis, quem é que não sofreria a angústia? No entanto, é assim que o amor intervém na vida, com a diferença de que ninguém receia por isso, visto que os amantes encaram tal acontecimento como se esperassem a suprema felicidade. Ninguém receia por isso, toda a gente ri afinal, porque o trágico e o cómico estão em perpétua correspondência.

Conversais hoje com um homem; parece-vos que ele se encontra em estado normal; mas amanhã ouvi-lo-eis falar uma linguagem metafórica, vê-lo-eis exprimir-se com gestos muito singulares: é sabido, está apaixonado. Se o amor tivesse por expressão equivalente «amar qualquer pessoa, a primeira que se encontra», compreender-se-ia a impossibilidade de apresentar melhor definição; mas já que a fórmula é muito diferente, «amar uma só pessoa, a única no mundo», parece que tal acto de diferenciação deve provir de motivos profundos. Sim, deve necessariamente implicar uma dialética de razões, e quem não as quisesse ouvir ou não as quisesse expor, ganharia mais em desculpar-se com a inoportuna extensão do discurso do que em alegar a falência total de explicações.

Ora a verdade é que o amante não pode explicar nada, não sabe explicar nada. Viu centenas de mulheres; deixou talvez passar muitos anos sem experimentar o amor; e um dia, de repente, vê a sua mulher, a única, a Catarina. Isto é ridículo. Sim, é cómico que tão grande força que há-de transformar e embelezar a vida inteira - o amor - nem sequer seja como o grão de mostarda donde deverá surgir uma grande árvore, que seja menos do que isso, que, em última análise, se reduza a um quase nada. Sim, é cómico que do amor não se possa apresentar um só critério prévio, por exemplo a idade em que se produz tal fenómeno, que da escolha da única mulher no mundo não se possa dar a mínima razão, que se haja escrito que «Adão não elegeu Eva, porque não teve possibilidade de a distinguir entre as mulheres».

Não será igualmente cómica a explicação apresentada pelos amantes? Ou melhor, essa explicação não servirá para acentuar ainda mais o aspecto cómico? Os amantes dizem que o amor os cega, e depois de dizerem isso é que tentam iluminar o fenómeno. Se um homem entrasse numa câmara escura para ir lá buscar um objecto qualquer, e se respondesse «não vale a pena, a coisa não tem importãncia», a quem lhe dissesse que procuraria melhor se levasse consigo uma luz, eu compreenderia muito bem a atitude desse homem. Mas se esse mesmo homem me chamasse à parte para em grande mistério me confiar que ia buscar uma coisa importantíssima, e que por isso mesmo tinha de a procurar às cegas - como poderia a minha pobre cabeça de mortal seguir a subtileza de tão desconcertante linguagem!

Evidentemente que não lhe riria na cara, para não ofender; mas, assim que ele voltasse as costas, não poderia mais conter a vontade de rir. (...) Se me entrego à hilaridade, estou muito longe de querer ofender alguém. Desprezo, porém, esses loucos, persuadidos de que o amor deles está tão completamente justificado que podem de bom grado mofar dos outros amantes; pois, uma vez que o amor se furta a qualquer explicação, todos os amantes se tornam igualmente ridículos.

Soren Kierkegaard

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Elegia 65


Se queres convencer os outros, deves parecer pronto a ser convencido.

Philip Chesterfield

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Elegia 63


É apenas a experiência que nos ensina quanto o carácter dos homens é pouco flexível, e durante muito tempo, como as crianças pensamos poder, através de sensatas representações, através da prece e da ameaça, através do exemplo, através dum apelo à generosidade, levar os homens a deixarem a sua maneira de ser, a mudarem a sua conduta e a desistirem da sua opinião, a aumentar a sua capacidade; o mesmo se passa quanto à nossa própria pessoa.

É preciso que as experiências venham ensinar-nos o que queremos, o que podemos: até essa altura ignorámo-lo, não temos carácter; e é preciso mais do que uma vez que rudes fracassos venham relançar-nos na nossa verdadeira via. - Enfim, aprendemo-lo, e chegamos a ter aquilo que o mundo chama carácter, isto é o carácter adquirido.

Aí existe, portanto, apenas um conhecimento, o mais perfeito possível da nossa própria individualidade: é uma noção abstracta, e por consequência clara das qualidades imutáveis do nosso carácter empírico, do grau e da direcção das nossas forças, tanto espirituais como corporais, em suma, do forte e do fraco em toda a nossa individualidade.

Arthur Schopenhauer

domingo, 28 de setembro de 2008

Elegia 62


Não confundir amizade (ou amor) com «interesse». É uma máxima canónica. Pois. Mas que amizade (ou amor) não assenta no interesse dela? Porque é o interesse que cria condições não apenas para o interesseirismo mas para a própria amizade.
Só nos interessa a amizade de quem nos interessa... Os meus hábitos de vida exigem para as relações o que entre de algum modo nesse hábitos. Nem tem sentido gostar-se de alguém por si mesmo. O «si» mesmo é todo o espaço em que se manifesta. O meu único espaço habitável para os outros é o que lhes invento em alguns livros. No resto vivo só eu.

Vergílio Ferreira

sábado, 27 de setembro de 2008

Elegia 61


A ideia de livre arbítrio, na minha opinião, tem o seu princípio na aplicação ao mundo moral da ideia primitiva e natural de liberdade física. Esta aplicação, esta analogia é inconsciente; e é também falsa. É, repito, um daqueles erros inconscientes que nós cometemos; um daqueles falsos raciocínios nos quais tantas vezes e tão naturalmente caímos.

Schopenhauer mostrou que a primitiva noção de liberdade é a "ausência de obstáculos", uma noção puramente física. E na nossa concepção humana de liberdade a noção persiste. Ninguém toma um idiota, ou louco por responsável. Porquê? Porque ele concebe uma coisa no cérebro como um obstáculo a um verdadeiro juízo. A ideia de liberdade é uma ideia puramente metafísica.

Fernando Pessoa

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Elegia 60


Absurdo: afirmação ou convicção manifestamente contrária à nossa própria opinião.

Ambrose Bierce

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Elegia 59


O silêncio é a mais perfeita expressão do desprezo.

Nota de rodapé: então se não nos silenciamos (mesmo que interiormente) não desprezamos... ainda bem que a aparência é apenas isso mesmo!!!!!).

Bernard Shaw

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Elegia 58


Pode-se perdoar, mas esquecer, isso, é impossível.

Honoré de Balzac

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Elegia 57


A ausência apaga as pequenas paixões e fortalece as grandes.

Francois La Rochefoucauld

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Elegia 56


As pessoas pedem-te uma crítica, mas querem apenas um elogio.

William Maugham

domingo, 21 de setembro de 2008

Elegia 55


Não julgues as coisas ausentes como presentes; mas entre as coisas presentes pondera as de mais preço e imagina com quanto ardor as buscarias se não as tivesses à mão.

Mas ao mesmo tempo toma cuidado, não seja caso que ao deliciares-te assim nas coisas presentes te habitues a sobrestimá-las; procedendo assim, se um dia as viesses a perder, davas em louco rematado.

Marco Aurélio

sábado, 20 de setembro de 2008

Elegia 54


Quem é que tu amas? - continuou Murphy. - Eu, tal como sou. Podes desejar o que não existe, não podes amá-lo. - Nada mal, para um Murphy. - Se assim é, por que diabo te esforças tanto para me modificar? Para poderes deixar de me amar - aqui, a voz subiu e atingiu uma nota bastante honrosa - para deixares de estar condenada a amar-me, para seres dispensada de me amar.

Samuel Beckett

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Elegia 53


É cruel não perdoar a quem pede perdão.

Rashi, Textos Judaicos

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Elegia 52


Apenas quem é desprezível pode ter medo de ser desprezado.

Francois La Rochefoucauld

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Elegia 51


A felicidade está em conhecer os nossos limites e em apreciá-los... mesmo que estejam errados!

Romain Rolland

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Elegia 50


Este desejo de elevar o mais possível a pirâmide da minha existência, cuja base me foi dada e me domina, ultrapassa qualquer outro e mal me permite um instante de esquecimento.

Johann Goethe

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Elegia 49


A dor não tem juízo, e nenhuma é maior que a do amor ofendido.

António Vieira

domingo, 14 de setembro de 2008

Elegia 48


Os amantes arrependem-se do bem que fizeram, quando o seu desejo já se exinguiu, ao passo que aqueles que não têm amor nunca tiveram a oportunidade de se arrepender; pois não é sob o jugo da paixão, mas voluntariamente, e conduzindo bem os seus interesses, sem ultrapassar os limites dos seus próprios recursos, que eles fazem bem ao amigo.

Além disso, os amantes repassam na mente os danos que o amor lhes causou nos negócios e as liberalidades que eles fizeram, e, acrescentando a isso a dor que sentiram, julgam que há muito tempo que têm vindo a pagar o preço dos favores obtidos. Já aqueles que não estão apaixonados não podem nem usar como pretexto os seus negócios negligenciados por causa do amor, nem alegar as intrigas dos familiares, de modo que, isentos de todos esses aborrecimentos, eles só têm que se empenhar em fazer tudo o que acham que deve agradar ao seu bem-amado.

Platão

sábado, 13 de setembro de 2008

Elegia 47


Por que é que gozamos com cada nova beleza que descobrimos no que amamos? Porque cada nova beleza nos dá a inteira e total satisfação de um desejo. Se a queremos sensível ela será sensível. Se em seguida a queremos orgulhosa como a Émilie de Corneille, embora estas duas qualidades sejam provavelmente incompatíveis, ela aparece imediatamente com uma alma romana. É esta a razão moral porque o amor é a mais forte das paixões.

Nas outras, os desejos têm que se acomodar às tristes realidades; nesta, são as realidades que se apressam a identificar-se com os desejos; ela é, portanto, a paixão em que os desejos violentos têm uma maior realização.

Stendhal

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Elegia 46


A liberdade é, antes de tudo, o direito à desigualdade

N.A. Berdiaev

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Elegia 45


Perdoamos na medida em que amamos.

E depois há dias em que perdoamos porque é o que está certo no nosso coração e outras alturas há em que, não perdoamos porque está certo no nosso pensar.

A questão coloca-se então: perdoar quando?

François La Rochefoucauld

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Elegia 44


Uma palavra posta fora do lugar estraga o pensamento mais bonito.

Voltaire

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Elegia 43


O erro é a noite dos espíritos e a armadilha da inocência.

Luc de Clapiers Vauvenargues

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Elegia 42


Uma frase é pura enquanto está sozinha. A seguinte tira-lhe logo alguma coisa.

Édomnd Jàbes

domingo, 7 de setembro de 2008

Elegia 42


É acreditando nas rosas que as fazemos desabrochar.

Anatole France

sábado, 6 de setembro de 2008

Elegia 41


A vida, para os desconfiados e os temerosos, não é vida, mas uma morte constante.

Juan Vives

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Elegia 40


Há enganos tão bem elaborados que seria estupidez não ser enganado por eles.

Charles Colton

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Elegia 39


A simplicidade é o que há de mais difícil no mundo: é o último reduto da experiência, a derradeira força do génio.

George Sand

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Elegia 38


Sede firmes, e que as vossas mãos não se enfraqueçam, pois as vossas acções terão a sua recompensa.

texto biblico do Livro dos Reis

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Elegia 37


As verdades descobertas pela inteligência são estéreis.
Apenas o coração é capaz de fecundar os seus sonhos.

Anatole France

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Elegia 36


Os erros passam, a verdade fica.

Dennis Diderot

domingo, 31 de agosto de 2008

Elegia 35


O que pensas que foi a vida dos homens que se conseguiram erguer acima do comum? Um combate contínuo. Se se tratar de um escritor, para escrever, uma luta contra a preguiça (que ele sente tanto como o homem comum): e isto porque o seu génio quer manifestar-se - e ele não obedece apenas ao desejo vão de se tornar célebre, mas ao apelo da sua consciência.

Calem-se portanto os que trabalham com frieza: poder-se-á imaginar o que é trabalhar sob a influência da inspiração? Que medo, que hesitação sentimos em despertar esse leão adormecido, cujos rugidos fazem estremecer todo o nosso ser!

Mas, voltando atrás: ser firme, simples e verdadeiro - eis o útil ensinamento de todos os momentos.

Eugène Delacroix

sábado, 30 de agosto de 2008

Elegia 34


O verdadeiro, o bom, o inigualável é simples e é sempre idêntico a si mesmo, seja qual for a forma sob a qual ocorre.

Pelo contrário, o erro, sobre o qual sempre recairá a censura, é de uma extrema diversidade, diferente em si mesmo, em luta não apenas contra o verdadeiro e bom mas também consigo mesmo, sempre em contradição consigo próprio.

É por isso que em todas as literaturas as expressões de censura hão-de ser sempre muito mais que as palavras destinadas aos louvores.

Johann Wolfgang von Goethe

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Elegia 33


Para quem sabe esperar, tudo vem a tempo.

Clément Marot

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Elegia 32


Nas grandes coisas, os homens mostram-se como lhes convém;
nas pequenas, mostram-se como são.

Sébastien-Roch Chamfort

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Elegia 31


E cada um acredita, facilmente, no que teme e no que deseja.

Jean de La Fontaine

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Elegia 30


A vida está cheia de uma infinidade de absurdos que nem sequer precisam de parecer verosímeis porque são verdadeiros.

Luigi Pirandello

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Elegia 29


Abandonando nobremente quem nos deixa, colocamo-nos acima de quem perdemos

Madame de Stael

domingo, 24 de agosto de 2008

Elegia 28


Se não fôssemos perdoados, eximidos das consequências daquilo que fizemos, a nossa capacidade de agir ficaria por assim dizer limitada a um único acto do qual jamais nos recuperaríamos; seríamos para sempre as vítimas das suas consequências, à semelhança do aprendiz de feiticeiro que não dispunha da fórmula mágica para desfazer o feitiço.

Se não nos obrigássemos a cumprir as nossas promessas não seríamos capazes de conservar a nossa identidade; estaríamos condenados a errar desamparados e desnorteados nas trevas do coração de cada homem, enredados nas suas contradições e equívocos - trevas que só a luz derramada na esfera pública pela presença de outros que confirmam a identidade entre o que promete e o que cumpre poderia dissipar.

Ambas as faculdades, portanto, dependem da pluralidade; na solidão e no isolamento, o perdão e a promessa não chegam a ter realidade: são no máximo um papel que a pessoa encena para si mesma.

Hannah Arendt

sábado, 23 de agosto de 2008

Elegia 27


O álcool não consola nem não preenche os vazios psicológicos, mas supre a ausência de Deus, do amor e da falta destes dois.

Não compensa o homem ou a mulher.
Pelo contrário, anima a sua loucura, transporta-o a regiões supremas onde é mestre do seu próprio destino... e o destino o deixa sem méstria.

Marguerite Duras

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Elegia 26


Não sei ver nada do que vejo;

vejo bem apenas o que relembro e,

tenho inteligência apenas nas minhas lembranças.

Jean Jacques Rousseau

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Elegia 25


Os males de que foges estão em ti.

Séneca

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Elegia 24


Às vezes não tenho tanto a certeza de quem tem o direito de dizer quando um homem é louco e quando não é. Às vezes penso que não há ninguém completamente louco tal como não há ninguém completamente são até a opinião geral o considerar assim ou assado.

É como se não fosse tanto o que um tipo faz, mas o modo como a maioria das pessoas o encara quando o faz.

William Faulkner

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Elegia 23


Sofremos muito com o pouco que nos falta e,
gozamos pouco o muito que temos.


William Shakespeare

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Elegia 22


Tudo o que não cresce, decresce e arrisca-se a desaparecer. Este parece ser um princípio básico da vida. Não há meio termo, ninguém fica de fora desta realidade.

Se deixo de investir numa relação, ela não se aguenta; se não dou continuidade à minha formação, deformo-me inevitavelmente, e por aí fora... E quem não continua a investir na fé e no amor, corre o risco de perder ambas as coisas.


Vasco Pinto de Magalhães

domingo, 17 de agosto de 2008

Elegia 21


Nós temos de tomar sempre em conta o fracasso, senão acabamos abruptamente na inactividade, pensei eu, assim como, fora da nossa cabeça, não há nada contra que tenhamos de proceder com mais decisão do que contra a nossa inactividade, temos também, dentro da nossa cabeça, de proceder do mesmo modo contra a inactividade, mais ou menos com a falta de contemplação que nos é própria.

Nós temos de nos permitir o pensamento, temos de o ousar, mesmo com o risco de logo fracassarmos, porque de repente nos é impossível ordenar os nossos pensamentos, dado que, quando pensamos, temos de tomar sempre em conta todos os pensamentos que há, que são possíveis, fracassamos sempre naturalmente; nós, no fundo, sempre fracassados e todos os outros também, seja como for que se tenham chamado, mesmo que tenham sido os maiores de todos os génios, de repente, num ponto qualquer, eles fracassaram e o seu sistema desmoronou-se, como provam os seus escritos, que nós admiramos, porque são os que, no fracasso, mais longe foram levados. Pensar significa fracassar, pensei eu.

Agir significa fracassar. Mas, naturalmente, nós não agimos para fracassar, tal como não pensamos para fracassar, pensei eu.


Thomas Bernhard